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A crise do Facebook - A saga continua... Por Henrique Pufal em 26/03/2018 11:04

Hoje voltaremos a falar sobre o Facebook e toda a crise na qual a rede social está envolvida. Há cerca de um mês comentamos sobre os problemas que o Face enfrenta na questão das chamadas “Fake News”, as notícias falsas que se alastram de forma muito rápida.

Aqui no Brasil acabamos de ter um exemplo, no caso da execução da vereadora Marielle, em que informações falsas sobre a vida pessoal dela foram propagadas por alguns irresponsáveis, buscando politizar a situação. Isso preocupa cada vez mais, principalmente em um ano eleitoral, em que decidiremos que vai tocar a política brasileira nos próximos 4 anos.

E foi no campo da política que estourou mais uma grave crise no Facebook. Na última semana, o valor de mercado do Facebook caiu alguns bilhões de dólares, em função da divulgação de notícias envolvendo uma empresa chamada Cambridge Analytica. Esta empresa de consultoria obteve em 2014 as informações de mais de 50 milhões de usuários do Facebook nos Estados Unidos, e usou-as para traçar perfis comportamentais e personalidades, destinado a prever e influenciar as decisões destes usuários do Face.

Mas como ela conseguiu ter acesso a tanta informação? Na verdade, ela aproveitou a ingenuidade de usuários e uma espécie de brecha do Facebook no compartilhamento de informações. Em 2014, um pesquisador dessa empresa lançou um aplicativo para o Facebook prometendo um serviço de prognóstico de personalidade. Cerca de 270 mil pessoas autorizaram esse aplicativo a usar as suas informações pessoais.

Era um teste muito parecido com aqueles testes que volta e meia aparecem na nossa timeline do Facebook. “Com qual artista de cinema você se parece?”, “Qual seria a sua aparência se você fosse do sexo oposto?”. Para usar estes testes, normalmente o Facebook solicita uma confirmação de que suas informações pessoais serão compartilhadas com quem está oferecendo este teste.

No caso da Cambridge Analytica, o mais grave é que os usuários que aceitaram fazer aquele teste, autorizaram o acesso ao seu perfil pessoal, mas também ao perfil de todos os seus amigos. Ou seja, a consultoria multiplicou a base de informações, tendo acesso a milhões de perfis que não haviam autorizado o uso de informações do seu perfil.

Pois esta empresa foi contratada pela campanha do então candidato Donald Trump e determinou qual tipo de personalidade receberia determinados tipos de notícia, para que a influência fosse mais eficiente. A Cambridge Analytica trabalhou para desenvolver dezenas de variantes sobre mensagens políticas em torno de temas como a imigração, a economia e os direitos das armas, todos adaptados a diferentes perfis de personalidade.

E aqui fica a nossa reflexão e algumas dicas de uso do Facebook:

  1. Não confiem em tudo que está no Facebook, principalmente quando a fonte é desconhecida. Cada um tem direito a ter seu posicionamento político, mas não se deixem influenciar por mentiras. Busquem fontes confiáveis de notícias.
  2. Muito cuidado na hora de fazer estes testes de Facebook. A gente está autorizando alguém a coletar informações sobre o nosso perfil, que poderão ser utilizadas depois mesmo sem percebermos.
  3. De tempos em tempos é importante fazer uma faxina no Facebook, revogando o acesso de aplicativos e sites ao nosso perfil:
    1. Pra quem usa o Facebook no celular, clique naqueles 3 risquinhos que tem na direita, acesso o seu próprio perfil, depois clique naqueles 3 pontinhos que acessam as configurações do perfil e de privacidade, vai na seção “Aplicativos” e verifica quais sites e aplicativos que não precisam mais estar ali.
    2. No caso de quem usa Facebook no computador, é mais fácil ainda. Na barra superior do facebook, clica naquela setinha pra baixo, acessa a parte “Configurações” e vai em “Aplicativos”.
  4. Nesta mesma seção de configurações tem uma parte chamada “Aplicativos que outras pessoas usam”. Ali está listada uma série de informações do seu perfil que aplicativos e jogos utilizados pelos seus amigos podem levar do seu perfil. Ali está inclusive, as nossas atividades no Facebook, como curtidas e compartilhamentos.

Ou seja, temos que cuidar o que nós compartilhamos e no que permitimos que seja utilizado do nosso perfil.

E lembrem-se que o Facebook, assim como tantos outros serviços não é de graça. Quando usamos uma coisa de graça na Internet, significa que o produto somos nós e as nossas informações pessoais.


SxSW: conheça 5 macrotendências de inovação e comportamento Por Henrique Pufal em 19/03/2018 11:04

Terminou na última semana mais uma edição do SxSW (South by Southwest), evento que acontece na cidade de Austin e conhecido por ser lançador de tendências e o principal festival de economia criativa do mundo.

Abaixo, cinco macrotendências para pensarmos e conhecermos:

1 - O fim dos smartphones, reconhecimento facial e de voz

Amy Webb, futuróloga, fundadora do Future Today Institute e professora da Universidade de Nova York, afirmou que os smartphones vão acabar. Isso quer dizer que as pessoas vão ter mais e mais dispositivos conectados, como pulseiras, roupas, fones de ouvido, e passarão a usar também esses aparelhos para ficarem conectados. Uma das coisas interessantes que ela comentou é que vamos parar de digitar tanto, voltaremos a andar numa posição ereta, olhando as outras pessoas nos olhos.

2 - Realidade virtual e inteligência artificial

Tecnologias como Inteligência Artificial, Realidade Virtual, vão permitir que as marcas e os consumidores realizem experiências integradas ao nosso dia-a-dia. Por exemplo: jogar um videogame com um óculos de realidade virtual enquanto corre na esteira, em um game de perseguição. A sua velocidade na esteira vai ditar o ritmo no jogo. A indústria da beleza, por exemplo, já simula cores de batom, cor e corte de cabelo, formatos de sobrancelhas com realidade aumentada.

3 - Casas inteligentes, cidades inteligentes, carros autônomos e mobilidade urbana

Neste mundo extremamente conectado, todos os dados gerados por você em sua casa, cidade ou carro são armazenados com o objetivo de tornar as aplicações mais eficientes. Quanto mais sabem sobre seus hábitos, mais entregam uma experiência perfeita.

O carro autônomo é outro ponto em que a inteligência artificial vem para melhorar a vida das pessoas e suas comunidades.  “Nos Estados Unidos, o número de carros é bem maior do que o de carteiras de motorista. Algumas cidades chegam a ter 20% ou 30% dos seus espaços dedicados aos carros. Esses veículos costumam ficar parados 95% do tempo. E 75% das vezes os motoristas são os únicos passageiros. Acho que os carros autônomos têm a oportunidade de mudar o mundo, de ajudar a reduzir as emissões de gás carbônico”, afirmou John Krafcik, CEO da Waymo, empresa do Grupo Alphabet (Google) no desenvolvimento de veículos autônomos.

4 - Blockchain

Blockchain não é criptomoeda. Foi uma tecnologia criada para garantir a segurança entre as transações de bitcoins e todos os tipos de criptomoedas. Mas logo a indústria percebeu o potencial do blockchain para diversas aplicações.

O objetivo do blockchain é garantir a segurança de transações sem a necessidade de intermediários. Pesquisadores estimam que o mercado global de blockchain movimente US$ 7,74 bilhões até 2024.

5 - Igualdade, diversidade e tolerância

Sadiq Khan é o primeiro prefeito de origem muçulmana a governar a Londres. Para ele, a intolerância pode frear futuros talentos em várias áreas, inclusive na política. Ele fez uma autocrítica “Somos, talvez, os grandes culpados pela falta de alternativas, pois assistimos sentados a revolução acontecer nos últimos anos. A tecnologia não pode vir apenas das empresas de tecnologia e dos inovadores, mas também dos políticos e dos governos”, afirmou.

“A tecnologia de inteligência artificial precisa aprender com o ser humano e, por isso, é importante que esse conhecimento não seja realizado apenas a partir de um ponto de vista. Precisamos investir na diversidade das equipes de programação que trabalham com inteligência artificial”, disse Richard Socher, cientista-chefe da Salesforce e professor adjunto da Universidade de Stanford. A diversidade traz um olhar mais criativo e abrangente para inovações, criando sistemas que promovem a inclusão e a representatividade.


5 Previsões da Nokia Por Henrique Pufal em 26/02/2018 10:38

Vocês lembram da Nokia? Pois a empresa finlandesa que dominou o mercado de celulares antes da popularização do smartphone tem apresentado novos produtos e novas tecnologias, com foco no 5G, que será o próximo passo da internet móvel, previsto para chegar no mercado em 2020.

Na última semana a Nokia realizou uma conferência em que o CEO da empresa, Rajeev Suri (foto), se permitiu fazer cinco previsões sobre a tecnologia em 2018 que envolvem soluções e produtos da marca, mas também estão presentes em toda a indústria. Algumas delas são bem óbvias, enquanto outras são mais ousadas. Confira:

1. Problemas sociais relacionados com tecnologia começarão a aumentar

Segundo Rajeev, a barreira entre as pessoas que possuem acesso a certas tecnologias e aquelas que estão fora desse barco ficará ainda maior este ano - e pode trazer problemas. A disparidade começa na automação, que vai afetar certos empregos e atividades, e vai envolver atividades políticas e leis relacionadas com tecnologia. Só que isso vai também valer para toda a nossa convivência em comunidade, já que parte da população será excluída de muita coisa.

2. A dominância do smartphone será questionada por novos fatores

Antes, o PC foi revolucionário por trazer várias funções digitais automatizadas. Depois, o celular revolucionou por levar tudo isso e muito mais ao alcance do bolso. Mas será que ele é o eletrônico definitivo para as nossas vontades? O CEO da Nokia vê 2018 como o ano em que os smartphones podem começar a perder a hegemonia, ao menos para conceitos que envolvam mais respostas de áudio ou uma sensibilidade e retorno tátil. Não significa que outros dispositivos inteligentes necessariamente substituam o telefone, mas sim que ele vá para outros caminhos.

3. A realidade virtual vai começar a voltar

Como assim "voltar"? De acordo com o executivo, o hype em cima dessa tecnologia nem foi tão alto assim há alguns anos e já deu uma boa diminuída: muitos produtos de qualidade duvidosa foram lançados, ela não era tão acessível e o interesse caiu. Só que Rajeeet acredita que esse é o ano do VR estabilizar e reconquistar a indústria após uma reflexão crítica, trazendo novidades de fato revolucionárias e mais difundidas.

4. O sistema de saúde finalmente verá disrupção massiva e sistêmica

O sistema de saúde é um dos mais beneficiados pela inteligência artificial atualmente, mas ainda há um longo caminho pela frente sob perspectivas bastante positivas. Para Rajeet, um uso ainda maior de bancos e bases de dados, diagnósticos personalizados e muitos outros benefícios serão ampliados e popularizados com o principal ganho sendo salvar mais vidas.

5. Mais e mais tráfego no backbone da internet estará nas redes de companhias "webscale"

Uma companhia "webscale" é aquela que tem ambientes de rede privados, eficientes e com possibilidade de expansão. A Nokia acredita que o tráfego estará cada vez mais concentrado em serviços e servidores de Google, Apple, Netflix e outras marcas. Isso traz serviços mais rápidos e acessíveis, mas estar em poucas mãos significa que novas companhias no mercado terão que investir pesado em rede.


A Crise do Facebook Por Henrique Pufal em 19/02/2018 10:29

Não se trata de uma crise financeira, até porque os resultados de 2017 foram espetaculares. A receita cresceu 47% e o resultado apresentou um lucro líquido de mais de U$ 4.2 Bilhões, o que representou um crescimento de 20% em relação ao ano de 2016.

Mas o horizonte do Facebook não está tão claro como eles gostariam. Paira no ar uma dúvida sobre o modelo de negócios e a forma que eles lidam com as informações que são compartilhadas na rede.

Uma das métricas que o Facebook utiliza para medir o sucesso do negócio é um número de horas que as pessoas passam na rede. E, pela primeira vez na história, as pessoas passaram menos tempo utilizando o Facebook. Isso ligou o sinal amarelo na empresa e eles já anunciaram um mudança no algoritmo que controla as publicações que cada um vê, priorizando as publicações de amigos e não de marcas e empresas de mídia.

E aqui vale um esclarecimento para quem não está acostumado com a terminologia e o funcionamento do Facebook: É importante deixar claro que a gente não vê tudo o que todos os nossos amigos e as páginas que curtimos postam na rede. O Facebook tem uma inteligência, o chamado ALGORITMO, que seleciona este conteúdo, baseado naqueles tipos de conteúdos que mais curtimos, mais clicamos, aqueles amigos com quem temos mais afinidade e relacionamento na rede e marcas que pagaram para anunciar para alguém com o nosso perfil. A questão é que ninguém de fora do Facebook conhece as regras detalhadas deste algoritmo.

Esta mudança anunciada pelo Facebook já fez algumas empresas de mídia alterarem a sua estratégia de uso da plataforma. Um exemplo é a Folha de São Paulo que anunciou nos últimos dias que não vai mais compartilhar as suas notícias no Facebook através do seu perfil oficial.

O argumento deles é que como o algoritmo da rede passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos distribuídos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional, isso reforçou ainda mais a tendência do usuário a consumir cada vez mais conteúdo com o qual tem afinidade, favorecendo a criação de bolhas de opiniões e convicções.

Além disso, não há garantia de que o leitor que recebe o link com determinada acusação ou ponto de vista terá acesso também a uma posição contraditória a essa. Esses problemas foram agravados nos últimos anos pela distribuição em massa de conteúdo deliberadamente mentiroso, as chamadas "fake news", como aconteceu na eleição presidencial dos EUA em 2016.

E aí está um outro ponto crítico desta crise que o Facebook enfrenta: a dificuldade para filtrar o conteúdo falso que se propaga e se alastra com imensa velocidade na rede.

O Facebook é acusado pela parte mais conservadora dos americanos de ser uma empresa com um viés muito liberal. E é acusado pelos liberais de ter ajudado a eleição de Donald Trump, ao não impedir uma avalanche de perfis e notícias falsas que desequilibraram as eleições.

O dilema que o Facebook vive é que ele se coloca como uma plataforma livre ao mesmo tempo que tem uma espécie de responsabilidade de fazer uma curadoria de conteúdo jornalístico de qualidade. Eles já tentaram contratar equipes de jornalistas, implementaram novos filtros, mas essa decisão de diminuir o conteúdo de notícias na timeline tem sido vista como uma espécie de “jogar a toalha”.

Quem tiver tempo e quiser entender melhor toda essa história, na última semana foi veiculada uma matéria na revista Wired que conta um pouco dos bastidores desse inferno astral que o Face enfrenta. 


YouTube Go chega ao Brasil Por Henrique Pufal em 02/02/2018 11:42

O Google liberou para o Brasil e mais 130 países na última quinta-feira o aplicativo YouTube Go, uma versão dessa rede social que permite assistir a vídeos sem usar a internet móvel do seu celular. Essa ferramenta permite baixar vídeos através de uma rede WiFi, onde normalmente não existe a cobrança de franquia de dados, para armazenar no celular e assistir depois em qualquer lugar, mesmo sem conexão internet.

O YouTube Go já estava disponível desde 2017 em locais como Índia, Nigéria e Indonésia e instalado em mais de dez milhões de smartphones. Locais onde a infraestrutura de internet em alta velocidade ainda é precária e serviram como laboratório para desenvolvimento da interface e de recursos.

A tela inicial do YouTube Go conta com duas abas principais. Uma delas exibe os vídeos mais populares na sua região e outra, os vídeos que já foram baixados e estão armazenados no aparelho. Ao selecionar um item da lista, a ferramenta exibe uma previsão do vídeo e exibe mais informações sobre o conteúdo.

Caso você não tenha muito espaço de armazenamento no seu smartphone, é possível definir a qualidade da imagem antes de iniciar o download. Segundo o Google, a opção de exibir imagens em alta definição foi incluída após a demanda de quem já estava utilizando a ferramenta. Quando o celular está conectado à internet, o aplicativo ainda é capaz de avisar quando seus canais favoritos adicionam novos vídeos, para você fazer o download para assistir depois.

O app também oferece a opção de compartilhar vídeos com outras pessoas. Para isso, é preciso usar o Bluetooth para um celular que também tenha o serviço instalado. Ao clicar no ícone de transferências, exibido no canto superior da tela, o usuário só precisa se aproximar do outro celular, que deverá autorizar o envio, assim como em conexões convencionais.

Importante ressaltar que nem todos os vídeos da rede social podem ser baixados. Um exemplo disso são os vídeos de músicas: O Google não autoriza o download de clipes musicais ou músicas no app. De acordo com a empresa, o motivo é que não há contratos de direitos autorais que permitam o download no YouTube Go. Ao mesmo tempo, a medida evita que o novo aplicativo concorra diretamente com outro produto digital da empresa: o Google Play Music, rival do Spotify e da Deezer.

Ou seja, mais uma vantagem de aproveitar o WiFi instalado na sua residência e economizar no plano de dados móveis da sua operadora.


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